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Homenagem ao violinista Flausino Vale | Memória de 60 anos em 2014

Última modificação : Quarta, 26 Fevereiro 2014 14:12


 

Flausino Rodrigues Valle nasceu em Barbacena (MG) a 6 de janeiro de 1894, filho de Francisco Hermenegildo Rodrigues Valle e Augusta Campos Valle. Casado com Abigail em 1928, teve três filhos: Guatémoc, Huáscar e Arakén. Assinava a autoria de suas obras simplesmente como Flausino Vale, talvez motivado pela reforma ortográfica brasileira em 1943. Faleceu em 1954 em Belo Horizonte pouco depois de recusar um convite à inscrição em uma das quatro vagas da Academia Brasileira de Música por causa da precariedade de sua saúde.

 

Flausino foi introduzido à arte do violino em 1904 pelo tio, João Augusto de Campos, discípulo de Manuel Joaquim de Macedo, terminando os estudos em quatro anos e meio tocando os caprichos de Paganini e os estudos de Gaviniés. Mudou-se para Belo Horizonte em 1912 para completar seus estudos de colégio, cidade onde fixou residência, viajando esporadicamente ao Rio de Janeiro. Formou-se na Faculdade de Direito em 1923, exercendo a advocacia até 1943. Entretanto, sua dedicação à música foi ininterrupta, pois teve atuação profissional contínua no violino até o final de sua vida, tocando no cinema mudo, em bailes, casamentos, rádios. Desde aproximadamente o início da Sociedade de Concertos Sinfônicos de Belo Horizonte em 1925, Flausino foi spalla da orquestra, cargo que exerceu por uma década, chegando a apresentar concertos como solista.

 

Vale teve poucos alunos de violino. Ministrou aulas de violino sistematicamente somente durante um semestre de licenciamento do catedrático George Marinuzzi. Seu primeiro recital solo em Belo Horizonte aconteceu apenas em 1935, no qual incluiu composições próprias e de outros brasileiros, como a cadência Marcos Salles à Sonata de Tartini em Sol menor. Sucederam-se outras apresentações sempre muito bem recebidas pela crítica da imprensa.

 

Em 1934, já reconhecido por seu destaque internacional, foi nomeado à cátedra de História da Música e do Folclore Nacional por Levindo Furquim Lambert, diretor do Conservatório Mineiro de Música em Belo Horizonte. Empenhou sua vida nesta disciplina, publicando "Elementos de folclore musical brasileiro" em 1936, e "Músicos Mineiros" em 1938. Flausino recebeu forte apoio do musicólogo Curt Lange para criar e participar na Comissão Mineira de Folclore em 1948. Entre outros trabalhos escritos, encontram-se artigos sobre música e também um livro de poesias.

 

Conseguiu publicar algumas de suas composições e transcrições, como os famosos prelúdios característicos e concertantes para violino solo: "Batuque", "Casamento na Roça" e "Ao Pé da Fogueira". Esta última obra ganhou notoriedade internacional após sua reedição por Jascha Heifetz, que acrescentou uma parte de piano, gravou a obra em 1945 e promoveu-a entre seus alunos.

 

Em homenagem à memória de 60 anos de Flausino Vale em 2014, coloco à disposição 20 gravações que realizei em 1997 em São Paulo, as quais estavam restritas a meus alunos e amigos. A coletânea vivifica manuscritos alternativos àqueles mais divulgados, que me chegaram às mãos primeiramente pelo meu professor Ricardo Giannetti, cujo pai foi aluno de Vale.

 


As gravações encontram-se disponíveis aqui


 

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