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DIE ZAUBERFLÖTE | A FLAUTA MÁGICA, K.620

Última modificação : Terça, 22 Setembro 2015 15:06



WOLFGANG AMADEUS MOZART (1756 – 1791) 

AUSTRÍACO – ERA CLÁSSICA -  655  

 

Die Zauberflöte KV 620 ("A Flauta Mágica") é uma ópera em dois atos com libreto alemão de Emanuel Schikaneder. Estreou no Theater auf der Wieden em Viena, no dia 30 de setembro de 1791.

 

"A Flauta Mágica" deve ser compreendida em seu contexto, no qual vigora a tradição germânica da ópera popular ("Singspiel") e seu equivalente vienense ("Spieloper"). Ambos os modelos alternam partes cantadas com diálogos falados.

 

Schikaneder era companheiro de loja maçônica de Mozart. À época, por influência da Revolução Francesa, a maçonaria adquiria simpatizantes ao mesmo tempo que era perseguida.

 

A ópera mostra a filosofia do Iluminismo. Algumas de suas árias tornaram-se muito conhecidas, como o dueto de Papageno e Papagena, e as duas árias da Rainha da Noite. Os conceitos de liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução Francesa transparecem em vários momentos na ópera, por exemplo quando o valor de Tamino, protagonista da história, é questionado por ser um príncipe, e que por tal motivo talvez não conseguisse suportar as duras provas exigidas para entrar no templo. Em sua defesa, Sarastro responde: "mais que um príncipe, é uma pessoa".

 

A Flauta Mágica foi produzida no século XVIII, período histórico em que a linha de pensamento do homem sofria uma mudança radical através do Iluminismo, ideologia que defendia o fim das superstições medievais cultivadas pela Igreja durante a Idade Média e a valorização de uma visão de mundo racional, em que a sabedoria aparece como única possibilidade de justiça e igualdade entre os homens, o que imediatamente coloca em xeque as relações de poder e subordinação da sociedade da época e a legitimidade dos aristocratas e das tiranias.

 

Nesse contexto, A Flauta Mágica apresenta-se como uma ópera de formação e como uma alegoria para as provações pelas quais o homem precisa passar para sair das trevas do pensamento medieval em direção da luz iluminista. Assim, as principais personagens Tamino e Pamina enfrentam os obstáculos impostos pelos membros do Templo da Sabedoria para juntos, ao final da ópera, encontrarem a realização plena e a união ideal.

 

Em sua jornada, o casal conta com a ajuda de Sarastro, soberano que simboliza o homem racional que detém o poder por sua sabedoria – não pela força – e que é capaz de ser sempre justo com qualquer cidadão que busque seus conselhos. Sarastro não é a resposta para a sabedoria, mas o caminho para se chegar até ela, ao guiar o homem em sua jornada pessoal em busca da autonomia e liberdade de pensamento. Nesse sentido o personagem entra em contraste direto com a Rainha da Noite, a vilã da história que figura como tudo aquilo condenado pelo Iluminismo: a superstição, a irracionalidade, a aristocracia, a tirania e a subordinação tanto social quanto intelectual, ao ditar tudo o que seus inferiores devem ou não pensar e fazer.

 

A ópera também apresenta influência dos ideais da sociedade maçônica da qual se sabe que Mozart e Schikaneder faziam parte –, principalmente no que diz respeito ao ritual de iniciação pela qual passam Tamino e Pamina, composto de diversas provas (tal qual o ritual de iniciação maçônico) que testam o amor e a persistência do casal, recebido sob as bênçãos de toda a fraternidade do Templo da Sabedoria ao final da história. 

 

"A Flauta Mágica" é reconhecida como um dos principais títulos da ópera em alemão e atraiu a atenção de Ingmar Bergman, gênio do cinema que a filmou, cantada em sueco, em 1975.

 

Mozart  escreveu "A Flauta Mágica" em seu último ano de vida e conseguiu a proeza de fazer um espetáculo "popular", de comunicação direta com o público, sem abrir mão do rigor e da sofisticação.


 

Papéis principais:

O Egito antigo, no castelo de Sarastro e proximidades *

 

. Sarastro, baixo - um aristocrata místico

. Tamino, tenor - um príncipe

. Rainha da Noite, soprano coloratura - a terrível mãe de Pamina

. Pamina, soprano - a princesa aprisionada

. Papageno, barítono - passarinheiro

. Papagena, soprano - sua amada

. Monostatos, tenor - um mouro a serviço de Sarastro

. O Orador do Templo, baixo

. Três Damas, sopranos


 

(*) Embora alguns livros sobre ópera afirmem que a ópera se passa no Egito da antiguidade - país onde se acredita que a Maçonaria tenha nascido - nenhuma referência no libreto nos permite tomar esta afirmação como absolutamente correta. É preferível, então, imaginarmos que a ambientação de "A Flauta Mágica" se dá num distante país oriental, nos tempos da antiguidade.



Orquestração:

1 Flautim

1 Tímpano

2 Flautas

2 Oboés

2 Clarinetes

2 Fagotes

2 Trompetes

3 Trombones

4 Trompas

Violinos I e II

Violas

Violoncelos

Contrabaixos



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